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Hollywood: de molde da vida à fábrica de clichês

Diz o ditado que a arte imita a vida. No caso do cinema, porém, seria mais correto dizer que a sétima arte molda a vida. Afinal, é inegável que os filmes que Hollywood nos trouxe tiveram – e continuam tendo – grande impacto na forma como a sociedade se comporta perante diversos assuntos.

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Essa influência está apresentada, de forma muito divertida, na série original da Netflix Os Filmes que Marcam Época, uma tradução insuficiente para The movies that made us.

Hollywood: de molde da vida à fábrica de clichês
Imagem: Pixabay

Como o nome em inglês sugere, os filmes têm tanta influência que, de certa forma, definem épocas e comportamentos. Colocar determinadas situações nas telas faz com que elas sejam subconscientemente aceitas pela plateia, e introjetadas na vida cotidiana.

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Os estúdios de Hollywood descobriram cedo que tinham esse poder para moldar costumes, como fizeram com o jogo de poker. De passatempo restrito a um pequeno grupo, tornou-se uma atividade com inúmeros representantes, muito por conta da propagação recorrente nas telonas.

Quando Woody Allen filmou “Noivo neurótico, noiva nervosa” (outra tradução de título questionável), as roupas de Annie Hall, interpretada por Diane Keaton, viraram coqueluche entre as mulheres da época. E muitos garotos dos anos 80 começaram a andar de bicicleta usando óculos escuros depois que o cinema mostrou uma molecada voando de bike com o ET na cestinha.

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As duas primeiras temporadas de Os Filmes que Marcam Época, mostram quatro títulos cada. Todos das décadas de 80 e 90, e todos icônicos. Na temporada inaugural, mostram o improvável sucesso de Dirty Dancing, um filme que parecia destinado ao fracasso e, no entanto, foi um blockbuster daquele ano. E até hoje ninguém deixa Baby num canto.

O segundo episódio traz o infante Macaulay Culkin no papel do menino deixado para trás no filme Esqueceram de Mim. Depois ele foi novamente esquecido em Esqueceram de Mim 2 – Sozinho em Nova York.

E depois disso foi esquecido de vez por todos.  O terceiro filme é Os Caça-Fantasmas – o original de 84, que teve uma sequência, uma série animada, uma versão empoderada com mulheres e, mais recentemente, uma versão infantil – uma prova do poder do ectoplasma para cativar plateias. E, fechando a temporada, Duro de Matar, o filme que tirou Bruce Willis do papel debochado na sitcom A Gata e o Rato e o alçou à condição de herói de aventura sem medo e sem cabelos.

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O sucesso da primeira temporada encaminhou a segunda, que abriu os trabalhos com nada menos que De Volta para o Futuro e a surpreendente revelação que Michael J. Fox não era o ator principal quando as gravações começaram. Algo que hoje parece impensável no filme que voltou ao Netflix depois de breve ausência.

Na sequência, vieram Uma Linda Mulher, o debut de Julia Roberts no estrelato, e mais um caso de vestido que conquista plateias; Parque dos Dinossauros, e a épica batalha dos velhos modelos animados contra a nascente computação gráfica; e Forest Gump, um filme que tinha tudo para dar certo, se o orçamento do estúdio permitisse… As contas estão vindo? Corra, Forrest, corra!

Agora uma terceira temporada já está a caminho, com mais filmes e uma pegada temática: filmes de Halloween e Natal. Serão oito título analisados e escrutinados, certamente com muitas curiosidades divertidas. Mas, por outro lado…

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Filmes de Hollywood
Imagem: Pixabay

Assim como Hollywood é pródiga em criar modas e tendências, também é profícua na produção de clichês. Certas formas de mostrar acontecimentos ficaram tão repisadas que a Netflix decidiu dedicar um programa só para elas. Chamado de O Ataque dos Clichês de Hollywood, o programa recentemente adicionado ao catálogo mostra diversas cenas que todos já cansaram de ver – mas que continuam funcionando. Tem a famosa bomba-relógio desarmada nos últimos segundos; o vilão (ou monstro) que aparece refletido no espelho do banheiro; a dupla de detetives formada por um veterano prestes a se aposentar e um jovem impetuoso que não segue regras; o ataque de fúria e frustração que varre tudo que está em cima de uma mesa; a cena sensual do casal na cama, com a câmera se deslocando estrategicamente para a lareira flamejante. Tudo isso e mais um pouco, em 58 divertidos minutos capitaneados por Rob Lowe que, contudo, precisa melhorar seu timing satírico.

Se a arte do cinema de fato imita a vida, é algo a ser discutido. Mas a frase é, no mínimo, um grande clichê. Então, talvez, imite mesmo.