Atriz da Netflix critica Globo por “A força do querer”

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A atriz Jamie Clayton, do seriado da Netflix Sense8, condenou o fato de o papel de um homem transexual na novela global A força do querer ser desempenhado por uma mulher. “Sei que uma mulher interpretando trans não é trans. Me pergunto se isso é, em partes, o porquê da reação positiva. Me pergunto se ele fosse trans”, afirmou ao site Notícias da TV, durante passagem pelo Brasil.

O folhetim da Globo delegou a Carol Duarte a tarefa de interpretar a transição de gênero de Ivana para Ivan, abordagem inédita na dramaturgia do canal e da televisão brasileira.

Atriz da Netflix critica Globo por “A força do querer”

Atriz da Netflix critica Globo por “A força do querer”

As críticas de Jamie Clayton surgem chanceladas pelo impacto na audiência provocado pela produção da Netflix, conectado desde o início a bandeiras em defesa da diversidade de gênero. A trama das irmãs Lilly e Lana Wachowsky – as duas transgêneros – fez da liberdade sexual elemento da própria série ao permitir a troca de afetos e carícias entre os personagens mesmo à distância. Jamie interpreta a hacker Nomi, um dos alvos de uma organização criminosa multinacional.

A atriz elogiou a decisão da emissora brasileira de abordar o assunto na televisão, mas creditou parte do sucesso à maior tolerância da audiência com o sexo feminino. “Os trans homens têm menos representatividade que as mulheres”, observou ao site.

Clayton elogiou ainda a atração da Globo por selecionar a atriz trans Maria Clara Spinelli para o papel de uma mulher cisgênero, Mira. “Isso é ainda melhor. Ter uma atriz que se identifica como trans na vida real e vive um personagem que não é trans, é a direção na qual precisamos ir”, comentou. “Atuação é isso! Deixa a gente interpretar esses papéis, deixa a gente interpretar tudo!”, finalizou a atriz.

Com cenas gravadas também no Brasil, durante a Parada da Diversidade de São Paulo, Sense8 foi extinta pouco depois da segunda temporada. O apelo dos fãs pelo retorno do seriado levou a Netflix a programar um filme de despedida com duas horas de duração. A justificativa utilizada pela empresa para interromper a série foram os altos custos de gravação – multiétnico e multicultural, a produção exigia locações em continentes distintos.

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